quinta-feira, 14 de abril de 2011

Einstein sobre o vegetarianismo

"Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência da vida na Terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influencá o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da Humanidade."
Albert Einstein

terça-feira, 12 de abril de 2011

Comunicado do PAN sobre a opção nuclear

Portugal necessita de uma estratégia bem definida para resolver a mais pesada das facturas da sua balança comercial: a energética. Esta dependência energética corresponde a metade do défice externo da economia portuguesa.
No passado, e por boas razões, os governos portugueses não adoptaram a opção nuclear. No entanto, há uma ideia, propagada por certos empresários e ecoada por alguns políticos, que concebe a energia nuclear como "barata, segura e limpa". Este comunicado visa expor as considerações falaciosas desta afirmação.
Em primeiro lugar e relativamente ao custo da energia nuclear. Tomemos como exemplo os países estrangeiros que operam com estas unidades: o preço da energia eléctrica nuclear traduz claramente uma opção política. Há os avultados subsídios que os estados atribuíram à construção das centrais termonucleares, depois há subsídios contínuos para os consumíveis das centrais como o urânio e a água, para os seguros de risco e de responsabilidade civil, para o tratamento dos resíduos radioactivos e para o desmantelamento da unidade depois do seu tempo de vida útil, para além de outros benefícios fiscais. Estima-se* que sem os subsídios o custo da energia nuclear seria 140 % mais elevado do que o preço médio de energia entre 1960 e 2008.
As pastilhas de combustível de dióxido de urânio, depois de usadas, têm de ser guardadas durante cerca de sessenta anos em poços para arrefecerem e para os seus isótopos decaírem. Os poços têm de ser mantidos refrigerados e cheios de água. Em devido tempo este lixo terá de ser acondicionado, por meio de robótica telecomandada, em vasilhas revestidas de chumbo, aço e cobre electrolítico puro que serão depois enterradas no interior de gigantescos repositórios geológicos considerados seguros. Todo este procedimento é muito dispendioso.
Outro aspecto que vai continuamente inflacionar o preço desta energia prende-se com o facto de a energia nuclear não ser uma fonte de energia renovável. As jazidas de urânio no planeta estão a desaparecer, e à medida que se forem explorando os locais onde a percentagem de urânio é mais baixa ou este se encontrar a maior profundidade o preço do combustível nuclear vai aumentar.
Na sequência do recente acidente em Fukushima, no Japão, têm tido lugar reuniões internacionais e foram criadas equipas especializadas para redefinir e avaliar as condições de segurança de todas as centrais nucleares, diligências que trazem consigo mais custos, imputáveis portanto à própria indústria nuclear. Em conclusão, a energia nuclear não é nem barata nem rentável.
Falemos agora da questão da segurança da energia nuclear. Conta-se já cerca de uma centena de incidentes na história da energia nuclear, que teve início no princípio da segunda metade do século XX. De entre aqueles, 19 acidentes documentados cujas consequências se traduziram em mortes e/ou prejuízos acima dos 100 milhões de dólares, sendo os mais conhecidos Chernobyl e Fukushima.
No passado, a Comissão Nuclear Governamental dos Estados Unidos estimou que a probabilidade de haver um acidente e consequente fusão de núcleos era de 15 % a 45 % para um período de vinte anos.
Devido às consequências catastróficas associadas a um acidente nuclear, as centrais nucleares podem passar a ser alvos preferenciais de ataques terroristas.
O lixo radioactivo produzido pelas centrais nucleares, maioritariamente composto por urânio 238, continua a ser altamente radioactivo durante mais de 4 mil milhões de anos. O manuseamento deste lixo e o seu transporte e armazenamento estão todos sujeitos a estritos requisitos de segurança.
Outra questão associada à segurança da energia nuclear prende-se com o facto de a sua utilização em larga escala favorecer a proliferação de armas nucleares, de três maneiras: em primeiro lugar, pela possibilidade de se poder isolar e purificar o plutónio contido no lixo nuclear, processo este que permite a sua utilização em armas nucleares; segundo, através do enriquecimento do combustível para o reactor (urânio 235) de 3,5 % para 90 %, permitindo a sua utilização em bombas atómicas; em terceiro lugar, pela possibilidade de utilização do lixo radioactivo em combinação com explosivos convencionais, criando as chamadas "bombas sujas".
Com a livre expansão desta indústria a todo o tipo de regimes totalitários e instáveis, corre-se o sério risco de questões de rivalidade regional e internacional ou fanatismo religioso virem a concretizar alguma das acima mencionadas possibilidades. Em conclusão, a energia nuclear não é segura.
Finalmente, a questão sobre se será a energia nuclear 'limpa'. Para além do já referido problema do lixo nuclear que vamos legar a milhares de gerações futuras, outros prendem-se à operação contínua de instalações termonucleares. A promoção do nuclear como uma energia limpa que não contribui para o efeito de estufa ignora os seguintes factos:
- o processo de extracção e processamento do minério para uso nas centrais nucleares implica o uso de energia maioritariamente proveniente de fontes fósseis, para além de uma grande quantidade de água;
- o processo de enriquecimento do urânio produz um composto halogenado chamado hex, mais um resíduo perigoso da indústria nuclear, dezenas de milhares de vezes mais potente do que o dióxido de carbono na sua contribuição para o efeito de estufa. A indústria não consegue captar todo este material, parte do qual escapa para a atmosfera. O facto de não haver dados publicados sobre a libertação de compostos halogenados pela indústria nuclear levanta a suspeição de que a sua contabilização eliminaria qualquer vantagem desta sobre a produção de energia através de combustíveis fósseis, no domínio da produção de gases com efeito de estufa;
- estima-se que a produção de dióxido de carbono possa ser cerca de um quarto da produzida numa central termoeléctrica que usa gás natural, no entanto só recentemente é que se conhece e se começou a estudar a libertação de baixas quantidades de substâncias radioactivas como o trítio, carbono 14 e plutónio 239, entre outras, para o ar e águas locais;
- com jazidas de urânio cada vez mais pobres e profundas será necessária uma muito maior quantidade de energia para a mineração, extracção e enriquecimento. Juntando a isto a necessidade de gastar energia no tratamento dos resíduos nucleares e no desmantelamento das fábricas, a indústria nuclear vai aumentar de tal forma a sua quota de produção de dióxido de carbono que acabará por se tornar mais barato e menos poluidor queimar directamente combustíveis fósseis para a produção de energia eléctrica.
Assim, com uma visão global e portanto mais coerente das implicações da indústria nuclear podemos concluir que a energia nuclear não é limpa.
Para além de a energia nuclear não ser barata, não ser segura e não ser limpa, também já se aludiu ao facto de não ser uma fonte de energia renovável ou inesgotável, como alguns pensam. Portanto, a energia nuclear não é solução para a crise energética.
Em vez de investir em megaprojectos como o da energia nuclear, há quem** defenda uma via alternativa, aqui exposta em quatro pontos:
1) melhorar a eficiência energética através de equipamento mais eficiente;
2) potenciar a produção local de energia, bens e serviços. São necessárias reformas estruturantes para reduzir a profunda dependência que a nossa actividade industrial tem da energia para transporte, quer seja de bens, pessoas ou electricidade;
3) projectar e criar sistemas que utilizem energias renováveis adequadas às necessidades locais;
4) à semelhança das quotas de carbono, deveriam existir quotas de energia negociáveis para a totalidade das economias, por forma a diminuir significativamente o consumo de energia.
As duas opções, por um lado a da energia nuclear centralizada e por outro a das energias renováveis descentralizadas, são paradigmas mutuamente opostos que na prática não vão poder ser prosseguidos em conjunto, nomeadamente por a opção nuclear implicar um tremendo investimento financeiro. Cremos que a via a seguir se apresenta como uma autoevidência.
REFERÊNCIAS
*No documento "Nuclear Power Subsidies" da organização não-governamental Union of Concerned Scientists.
**No documento "Lean Guide to Nuclear Energy", de David Fleming, doutorado em Economia pela Universidade de Londres.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pachamama — os direitos da Mãe Terra

A Bolívia, no seguimento da revisão constitucional que fez em 2009, está prestes a aprovar uma lei que reconhece à "Mãe Terra" direitos idênticos aos dos seres humanos. Por detrás desta inovadora e sensata medida está a recuperação das mundividências ancestrais, xamânicas e panteístas, dos povos nativos dos Andes. O direito à vida e à existência, à continuidade dos ciclos e processos vitais livres da alteração humana, à água pura e ao ar limpo, ao equilíbrio, à não-poluição e à não-sujeição a modificações celulares ou manipulações genéticas, são alguns dos 11 direitos constantes do projeto de lei.

O ministro dos negócios estrangeiros David Choquehuanca afirma que o o respeito indígena tradicional por Pachamama (Mãe Terra) é vital para deter o aquecimento global. "Os nossos avós ensinaram-no que pertencemos a uma grande família de plantas e animais. Acreditamos que tudo no planeta faz parte de uma grande família. Nós, o povo indígena, podemos contribuir para as crises energética, climática, alimentar e financeira com os nossos valores" afirmou o ministro. Na filosofia indígena, Pachamama é um ser vivo.

A primeira versão da nova lei afirma: "Ela é sagrada, fértil e a fonte de vida que alimenta e cuida de todos os seres vivos no seu útero. Ela encontra-se em perfeito equilíbrio e comunicação com o cosmos. Ela inclui todos os ecossistemas e seres vivos e a sua auto-organização".

O Equador, onde boa parte da população é constituída por diversos grupos indígenas, também alterou a sua constituição para reconhecer à natureza o direito à existência, à preservação e à manutenção e regeneração dos ciclos vitais, estruturas, funções e processos evolutivos". Contudo, este direitos ainda não conduziram à elaboração de novas leis que impeça as companhias petrolíferas de destruírem a algumas das ricas áreas biológicas da Amazónia.

A reportagem que a seguir se apresenta foi dirigida por John Vidal em La Paz, onde os Bolivianos se confrontam diariamente com os efeitos das alterações climáticas.









domingo, 10 de abril de 2011

Não há vida sem água

I. NÃO HÁ VIDA SEM ÁGUA. A ÁGUA É UM BEM PRECIOSO, INDISPENSÁVEL A TODAS AS ACTIVIDADES HUMANAS.

A água cai da atmosfera, na terra, onde chega principalmente na forma de chuva ou de neve. Ribeiros, rios, lagos, glaciares são grandes vias de escoamento para os oceanos. No seu percurso, a água é retida pelo solo, pela vegetação e pelos animais. Volta à atmosfera principalmente pela evaporação e pela transpiração vegetal. A água é para o homem, para os animais e para as plantas um elemento de primeira necessidade.

Efectivamente, a água constitui dois terços do peso do homem e até nove décimos do peso dos vegetais. É indispensável ao homem, como bebida e como alimento, para a sua higiene e como fonte de energia, matéria-prima de produção, via de transporte e suporte das actividades recreativas que a vida moderna exige cada vez mais.


CARTA EUROPEIA DA ÁGUA

do Conselho da Europa

(Proclamada em Estrasburgo em 6 de Maio de 1968)

sábado, 26 de março de 2011

A Teoria de Gaia


Na década de 70 do século XX, James Lovelock (ver foto), é convidado pela NASA para integrar um projeto de pesquisa de vida em Marte. Durante a sua investigação, Lovelock observa a composição da atmosfera marciana e compara-a com as atmosferas terrestre e venusiana. O cientista apercebe-se que as atmosferas dos dois planeta sem vida (Marte e Vénus) estão em equilíbrio químico; os gases que as constituem não reagem entre si. Em contraste, a atmosfera terrestre é composta por uma mistura gasosa que, na ausência de vida, não poderia existir porque os gases reagem quimicamente entre si, consumindo-se até à extinção o que existisse em menor quantidade. Um dos exemplos mais flagrantes é o metano (principal constituinte do gás natural) que existe em pequenas quantidades na atmosfera e que reage com o oxigénio originando dióxido de carbono e água. Apesar desse contínuo consumo, a concentração de metano na atmosfera é aproximadamente constante. Como pode tal acontecer? A explicação reside nos microrganismo anaeróbios, primeiros habitantes do planeta, que, diariamente, libertam quantidades massivas deste gás para atmosfera repondo a quantidade que é consumida na reação com o oxigénio.
Desta forma Lovelock conclui que o planeta Marte não deve albergar vida como a Terra alberga. Esta ideia, aparentemente simples, conduziu-o à construção de uma nova perspetiva da evolução da vida na Terra: a Teoria de Gaia; o planeta, como um todo, desenvolveu processos homeostáticos que contribuem para a manutenção das condições propícias à vida.
Na perspetiva evolutiva darwinista, mais tradicional, a evolução dá-se por uma adaptação das espécies a um meio ambiente em constante mutação; a vida tem apenas a possibilidade de se adaptar. Na perspetiva de Lovelock, todo o planeta revela mecanismos homeostáticos que constroem e mantém as condições necessárias à manutenção e à evolução da vida; as espécies não só evoluem para se adaptarem às condições do planeta, mas também alteram estas condições de modo a se manterem propícias aos seu desenvolvimento. A Terra é, neste contexto, equiparada a um organismo vivo; um organismo capaz de criar condições propícias à manutenção da sua existência. A este sistema, Lovelock chamou Gaia em homenagem à deusa grega da Terra (ver estátua em segundo plano na foto de James Lovelock) cujo nome cedeu o prefixo geo à geografia e à geologia.
Não há qualquer vislumbre de intencionalidade do planeta nas ideias de Lovelock. A manutenção das condições propícias ao desenvolvimento da vida é a consequência de um sistema complexo constituído, não só, por toda a teia de vida do planeta, mas também pelas rochas, pelos rios e oceanos, pela atmosfera, pelas montanhas e pelos desertos... por tudo o que é constituinte deste oásis de vida que gira em torno do Sol. Não há mais intencionalidade em Gaia do que no sacrifício outonal das folhas de uma árvore ou na produção de suco gástrico por um estômago saciado. Há um conjunto infinito de causas e condições que conduziram a estes acontecimentos, mas, tanto quanto se sabe, nenhuma consciência de intencionalidade está patente nestes processos. O mesmo se passa com o megaorganismo Gaia; um conjunto infinito de causas e condições conduz ao surgimento de um complexo sistema homeostático, mas não se reclama qualquer intencionalidade na sua ação.
Quarenta anos depois do seu nascimento, a Teoria de Gaia é hoje uma consolidada e respeitada teoria científica, com inúmeras evidências da sua adequação a uma descrição holística e dinâmica da história e da vida do planeta Terra.
Está na altura de, seguindo o exemplo de países como o Brasil, reclamar a introdução desta perspetiva como parte integrantes dos currículos de ciências do ensino básico português.

domingo, 13 de março de 2011

Ciência, Tecnologia e Nuclear


Inaugurei a década de oitenta com 12/13 anos e nessa mesma década completei o ensino secundário e entrei para a faculdade. A guerra fria estava ao rubro e os filmes apocalípticos – como o The Day After (1983) – que tinham por temática uma guerra nuclear entre a NATO e o Pacto de Varsóvia, faziam sucesso e abalavam consciências. Boa parte das conversas da minha adolescência tinham por pano de fundo a temática da energia nuclear. Não havia mochila ou casaco meu que não tivesse um crachá, com um sorridente sol vermelho em fundo amarelo, a dizer "Energia Nuclear? Não, obrigado." No início da minha rebelião os protestos contra esta fonte de energia confundiam-se com os protestos contra a corrida ao armamento. Lamentavelmente, a escola da época – à semelhança da escola de hoje – não tinha tempo para debater questões politizadas como estas e dada a ausência das facilidades de acesso à informação que hoje temos, demorei um pouco a sistematizar a opinião; foi o acidente de Chernobyl (1986) que me ajudou a clarificar as ideias e a dizer, mais convictamente "Energia Nuclear? Não obrigado."
Já neste século, escutei um novo discurso sobre a questão do nuclear. Apesar das posições anti-nuclear da Greenpeace, da WWF e de outros grupos ambientalistas, algumas das mais respeitadas cabeças no mundo da ecologia levantam as vozes a seu favor; é o caso de James Lovelock, autor da Teoria de Gaia. Se bem se lembram, esta discussão ainda foi sumariamente abordada em Portugal, no início do primeiro mandato do governo chefiado pelo atual primeiro ministro, José Sócrates. Falava-se então em avançar para a construção de uma central nuclear na região Norte de Portugal, mas a ideia foi posta de lado sem grandes azedumes das partes interessadas.
Os argumentos de que o desenvolvimento tecnológico dos reatores nucleares, a capacidade de automatização e controlo de sistemas e o desenvolvimento das tecnologias de informação eram capazes de garantir uma maior segurança das centrais nucleares, quase me convenceram a deitar fora os crachás da minha adolescência.
Na verdade, este novo discurso pró-nuclear conquistou a minha confiança nas tecnologias de produção de energia nuclear e os crachás não foram para o lixo apenas porque persistiram dúvidas relacionadas com questões sociais. Colocando as coisas de uma forma muito sucinta, são quatro as reticências sociais ao uso da energia nuclear que encontrei:
(1) dificuldade de gestão de resíduos: os resíduos nucleares (essencialmente plutónio) mantêm-se radioativos durante milénios – é uma herança pesada que deixamos àqueles que viverem depois de nós – e o plutónio é a principal matéria-prima das bombas atómicas.
(2) centralização – ao invés da descentralização e autonomia energética, a energia nuclear promove o desenvolvimento de monopólios, quer pelos avultados investimentos (iniciais e de manutenção) quer pela especialização e formação da mão-de-obra necessária para operar uma central termonuclear.
(3) uso das centrais como alvo de ataques – as centrais termonucleares poderão ser alvo preferencial de ataques que pretendam causar sérios danos na região onde se situam; uma situação como a que aconteceu a 11 de Setembro de 2001, direcionada para uma central nuclear teria repercussões muito mais alargadas do que a extensa e triste lista das vítimas das Twin Towers.
(4) direitos de acesso ao nuclear – o acesso à tecnologia nuclear, por parte de regimes não democráticos e, por vezes, hostis, como é o caso dos atuais regimes do Irão e da Coreia do Norte (apenas para citar dois exemplos), põe em perigo a segurança mundial – da produção de energia nuclear à construção de bombas atómicas vai um passo demasiado curto.

Na passada sexta-feira a Europa acordou com a notícia do terramoto e do tsunami que assolaram o Japão. A sociedade japonesa é das sociedades mais industrializadas e mais desenvolvidas do ponto de vista tecnológico do mundo. O nível de organização social também é muito elevado. Se assim não fosse, um terramoto de ML = 8,9 (e as réplicas que se sucederam) que assola uma cidade com uma população de 35,6 milhões de pessoas a viverem na sua área metropolitana, teria consequências muito mais dramáticas; a destruição provocada pelo tsunami que se seguiu revelou-se muito mais séria que a do terramoto, mas, para esse a tecnologia e a ciência atuais não tem resposta.
Não tenho dúvidas que o desenvolvimento tecnológico do Japão fez toda a diferença. A sustentar esta afirmação estão as dimensões da tragédia de 2004 que se abateu sobre países tecnologicamente menos desenvolvidos, como a Tailândia.
Foram também as notícias sobre o Japão que me fizeram tirar os crachás da gaveta. Alertas de fugas de radiação em duas centrais nucleares (Fukushima e Onagawa), áreas contaminadas com radiação, falhas no sistema de refrigeração de uma terceira central (Ibaraki) são notícias aterradoras, mesmo fazendo fé nas palavras do primeiro-ministro japonês de que esta situação não apresenta o perigo de atingir as dimensões de Chernobyl. Mas, apenas porque, talvez, o Japão consiga, hoje, minimizar os danos de forma a controlar a situação, não se pode garantir que o consiga sempre. E as centrais noutros países? E Almaraz? Situada a escassos quilómetros da fronteira Portuguesa. Será que conseguiremos controlar a situação em caso de calamidade?

Aglomerámo-nos em megacidades como Tóquio, Londres, Nova Iorque ou São Paulo e se é certo que os combustíveis fósseis não são a solução para alimentar estas devoradoras de eletricidade, estes últimos dias desvaneceram-me as dúvidas: a energia nuclear também não é, obrigado.